Respeite sua cama

Quem trabalha home office ou quem é workaholic sabe como é bom fazer um texto, editar uma foto, responder um email enquanto ainda na cama. Seja no celular ou no notebook. É tão agradável ficar sentado na cama trabalhando que se não tomar cuidado, o hábito já vira parte da rotina.

Eu comecei a trabalhar home office quando ainda cursava jornalismo. Morava sozinha na época. Então sim, eu tomava café na cama, já escrevendo os textos para enviar para um site português que escrevia. Depois de fazer minhas tarefas diárias, eu sentava à cama para mandar mil emails apresentando meu trabalho e tentando conseguir novos freelas para sustentar meu trabalho na cama.

O tempo passou e não percebi o quanto trabalhar corcunda diante do computador, comendo em horários nada corretos, atrapalhava minha saúde. Foram alguns anos assim, e eu correndo atrás de ortopedistas para descobrir qual era o problema no meu braço direito.

O trabalho deve ter um lugar muito específico para ser desenvolvido quando dentro de casa. Vale trocar de lugares, mas é importante pensar na disposição da coluna enquanto usa o computador. O ambiente de trabalho deve promover também sua saúde.

Fix uma faxina no meu quarto hoje, joguei mil coisas fora e deixei a cama bem arrumada para deitar mais tarde. Eu precisava pegar o teclado do meu computador para escrever para vocês, eu fui direto com o pé, chinelo e tudo mais em direção ao colchão arrumadinho no chão, mas consegui parar no meio do caminho. – Que falta de respeito com sua cama! Eu disse a mim mesma enquanto recuei o pé, tirei o chinelo e pisei só na ponta, longe do travesseiro, para então alcançar o teclado.

Eu estou fazendo bastante freelas agora e os quero longe da minha cama. Se for pra trabalhar de casa, que isso me traga mais saúde e bem estar. Fazer tudo deitado na cama é muito autodestrutivo, decidi deixar só as coisas mais gostosas para a cama.

O que você está lendo?

A cultura pop tomou conta do mundo, com isso, nasceram muitos portais de entretenimento. São chuvas e chuvas de informações alegando autenticidade quando não se tem o nome de uma fonte para citar.

Os canais de entretenimento se tornaram em campos minados. Ouvem algo, atiram para todos os lados e constroem ou destroem a imagem de um pop star.

Você leitor, não pode deixar que a mídia o conduza. Esse seria o papel do jornalista se este estivesse de acordo com o objetivo da profissão: “a verdade”. A verdade é relativa, depende do ponto de vista, por isso seu olhar crítico deve ser aguçado diariamente para não levar adiante uma armadilha midiática.

A internet está com a informação que quiser, na hora que você quiser. Procure ser seletivo e não seja exposto a qualquer título chamativo. Dê importância ao ler um artigo, assim como você dá a importância ao conversar com um amigo. É a famosa picuinha. Um solta uma coisa aqui, para crescer em algo irreal logo ali. Não caia nessa também na web. Procure por fontes, fuja da palavra “rumores”. Leituras saudáveis levam você a uma vida mais saudável.

300 motivos para destruir uma caneta

Comecei a desenhar sem querer, depois de tanto tempo querendo. Aí depois do feedback, principalmente dos amigos, ví um empurrãozinho para continuar e isso só cresceu desde então. Bom, uma vez eu ganhei uma faixa de papel higiênico que dizia: “Rainha do Drama”, foi a despedida mais divertida que alguém poderia ter. Então uni as duas coisas em uma. O desenho e o drama.

Todas as vezes que desenho, procuro aplicar algo diferente, procuro um novo objetivo e uma nova história. Fui ao cinema com os amigos assistir ao filme 300 e não tive tempo nem de piscar. Não vamos entrar no quesito roteiro, mas foi um belo entretenimento assistir ao incrível 3d de sangue e luta que o filme proporcionou. Uma bela obra na qual me inspirou.

Pensando no corte das espadas e no sangue que parecia pular da tela para o meu rosto, resolvi destruir uma caneta. Usei a faca para fazer um leve corte abaixo da ponta da caneta e não medi esforços na hora de espalhar tinta vermelha pelo desenho pronto. Me diverti tanto fazendo isso que fotos e sujeira pela casa é o que não faltaram.

Vou deixar claro que sou contra a violência. Gosto mesmo é da fantasia e dos ensaios que o cinema proporciona. O resto, a vida mesmo, só com respeito!

20140421-IMG_6701

20140421-IMG_6693

20140421-IMG_6687

20140421-IMG_6697

20140421-IMG_6695

Confira minha galeria online de desenhos: tavaresjessica.tumblr.com

Ninguém quer viajar no fundo do ônibus

Demorei pra comprar a passagem desta vez. Era quase natal quando decidi quais os rumos da viagem. Para meu desgosto, só havia a poltrona ao lado do banheiro às 16h! – Mas que horário ruim! Gritei na minha cabeça.

A minha felicidade vinha porquê eu finalmente estaria indo pra casa. Eu até tentei lembrar dos tempos da adolescência em que sentar no fundo do busão era ser cool. A galera mais animada e bagunceira. Eu tentava estar sempre lá, quando não sentava na frente e depois ia para trás em pé ou sentada ao chão mesmo, só para ajudar na bagunça.

Agora eu só pensava no balancê que é sentar e cheiro de banheiro a todo momento. Quem senta atrás deveria pagar mais barato, tá? ! Toda hora tem uma mão na sua poltrona e outra para tentar abrir a porta do banheiro. Você praticamente não dorme e sempre se assusta com o cheiro que sai quando a porta abre.

Eu fui ao meu rumo. Já tinham passado duas horas de viagem, eu aré tirei um cochilo. Percebi que era o ôbibus com a melhor temperatura que já andei. Abri os olhos cansados para buscar a janela. Todas as cortinas do ônibus estavam ainda abertas. 18h no horário de verão e o dia está lindo la fora. Eu consegui avistar o horizonte inteiro através de todas as janelas. – Que vista interessante essa daqui!

12546310_10205756820015496_319374791_o

Eu nunca tinha percebido as montanhas através de tantas janelas. Também não havia enxergado a vista de um ônibus da sua ultima poltrona.

– Tudo depende do ponto em que se avista. Lembrei de um ensinamento antigo.

Continuei sentindo o cheiro do banheiro, mas desfrutei da natureza em volta do ônibus. Cada hora escolhia uma janela para observar, e às vezes olhava todas num plano só. Tive a felicidade ainda de quase todas as cortinas ficarem abertas por toda a viagem.

Desenhe nas suas mãos

Acho que foi na infância que ví a minha pele como um quadro pronto para ser rabiscado. Na verdade, todo espaço vazio para mim, é lugar de criação, seja ele físico ou imaginário.

Para retomar as atividades do Paper is NOT the limit, eu decidi retomar à essa peraltice de criança, na qual meu pai ainda chama minha atenção. Estava fazendo um teste com uma tinta e sujei o meu dedo, só para variar um pouco. Então decidi desenhar na minha mão.

Eu já estava finalizando quando um amigo meu tocou o interfone pedindo para eu ir até a recepção do prédio. Fui com as mãos nas costas para não mostrar o que estava fazendo e ele olhou atordoado quando fui pegar o papel em suas mãos com os dedos todos desenhados.

Eu voltei no elevador sorrindo, provavelmente essa era a cara que meu pai faria. E a minha resposta a ele, foi a minha chamada de atenção quando criança: – Não liga não, estou fazendo arte.

paper is NOT the limit - jessica tavares - retalho da vida - desenho a mão

Técnica: desenho com pincel em mãos.

O projeto Paper is NOT the limit consiste em produzir o mesmo desenho com técnicas e materiais variados e alternativos, na busca por criatividade e aperfeiçoamento artístico.

Você já se viu despido?

adj. Sem vestimentas; nu; desnudo.
Fig. Desprovido; despojado: despido de ornamentos.

Eu demorei muito para me despir para mim mesma. Tinha vergonha de algumas atitudes, desgotava de outras. Até encontrei alguns adjetivos mas eu me concentrava bastante nas coisas ruins. É tão complicado quando você não consegue se ver.

Eu tinha o hábito de me fechar no quarto para desenhar, escrever, fazer as minhas coisas. Eu fechava as portas da casa para me sentir de segura, mas todas as portas. Cozinha, quartos, banheiro, sala. Eu precisava ficar fechada em um ambiente.

Mal sabia eu que essa era uma metáfora para como eu me sentia por dentro. Me fechava para todas as possibilidades e me protegia do meu próprio eu. Está errado isso! Cadê as luzes desse lugar? Se não tem ao menos uma fresta, o ar não renova e a luz não entra pra eu poder enxergar onde não tropeçar.

As vezes o cômodo ficava vazio, era fácil sentar e fazer nada, respirar um ar único. Mas as vezes o cômodo tinha pilhas de coisas. Pastas e caixas e objetos por toda a parte. Não dava pra respirar alí. Cada vez que eu tentava levantar ou andar, uma parte do meu corpo se machucava, e ai! A dor me deixava nervosa, então o ar ficava pesado. Eu enchia o cômodo com palavras ruins e sucumbia meu interior a sentir toda a negatividade que saía da minha cabeça e de minha boca.

Um dia eu abri a janela. O vento entrou e limpou o ar do cômodo. Respirei fundo e senti o sabor do mundo exterior. Senti um alívio quando enxerguei que meu corpo não era perfeito, mas que eu não me importava com isso. A saúde que eu tinha que buscar, vai além do externo.

Eu consegui abrir todas as portas e deixei as luzes entrar. O erro estava na minha cabeça. Eu estava me fazendo fechar os olhos e os ouvidos para as coisas boas. Foi quando eu me vi. Despida. Em pé no cômodo eu olhei para a minha alma. Meu corpo se movia lentamente como se tivesse dançando ao som de uma orquestra. Olhei as imperfeições de todos meus pontos, reconheci as qualidades que alí viviam. Descobri um outro ser humano.

Eu consegui sair do cômodo depois disso, coloquei os pés para fora da porta e caminhei para as sensações, aventuras e obstáculos que os cômodos exteriores tinham a me oferecer.

Agora eu me vejo desnuda constantemente. Tiro as minhas amarras para entender quem eu sou. E o que eu sou muda a toda hora, pois eu estou vivendo no mundo exterior. Ele me influencia e eu o influencio. Decido todos os dias as coisas que posso me deixar influenciar e as coisas que eu preciso tomar uma posição mais forte.

Não é tão difícil assim viver no mundo exterior. Mas é preciso se conhecer primeiro. Do contrário, parece que estamos em quarto fechado, cheio de entulho, tentando nadar, num lugar que nem tem água.

Desafie-se a se ver desnudo. Tire as roupas da alma para se ver. Encontre com o seu ser. Descobra a pessoa incrível que mora no seu cômodo!

Jessica tavares - retalho da vida - photograph - fotografia

Jessica tavares - retalho da vida - photograph - fotografia

Que no próximo ano você seja pequeno

Sim, isso mesmo.

Quero que você seja tão pequeno quanto o fiapo de uma grama.

Que você encontre a pequenez nas atitudes simples.

Que você dance ao som de estalar de dedos.

Cante com boca e olhos fechados.

Que você sinta o sabor da água.

Respire fundo e escute o seu pulmão.

Que você espreguice todas as manhãs e ame seu corpo.

Que você pegue nas mãos de alguém de surpresa e sorria.

Desejo que você tenha calafrios de desejo.

Sorria para alguém na rua.

Caminhe na chuva sem pressa e ouça a música das gotas tocando o chão.

Que você olhe para alguém profundamente e diga tudo no silêncio.

Desejo que você se olhe no espelho e respeite suas linhas.

Desejo todo o mínimo para você.

Para que você perceba a grandeza do próprio ser.

E entenda a importância de ser pequeno para uma vida mais completa.

Que toda vez que suas pálpebras abrirem na manhã, seja o seu momento mais feliz no dia.

E então, entenda que precisa de todos os outros fiapos de grama para fazer um belo campo. Deixar nascer as flores. Plantar árvores. Jogar água. Construir um futuro.

Compartilhe a mensagem com os fiapos que você quer construir seu campo no próximo ano. Que todos os dias sejam de muito aprendizado para aprendizados ainda maiores. Feliz Ano Novo todos os dias de sua vida!