Eu prefiro praia no inverno

Em setembro de 2014 eu saí de SP e fui visitar o meu pai no Espírito Santo. Em Anchieta fazia um frio gostoso e uma chuvinha constante. Eu já havia experimentado essa temperatura por lá alguns meses atrás. Um café da tarde bem preparado e o mar como vista infinita para o dia.

Caminhei nas pedras com um cobertor nas costas, o frio não era de matar, mas o vento com as gotículas de água, causavam arrepios de frio. Uma sensação muito gostosa, diga-se de passagem.

O barulho do mar nas pedras era nossa música, não tinha motivos para pedir mais da vida do que aquele momento. Minhas coisas prediletas num só lugar.

Descobri que o motivo de tanto bem estar não era o café nem o frio, que são minhas paixões escancaradas. Era o azul, o verde, a mistura de cores. Os sabores, a dança e o barulho, e tudo o que o mar proporciona. Descobri que sentia saudades da água batendo, da água respingando, de apenas sentar e observar.

Aí eu descobri que não prefiro a praia no inverno, eu quero o mar em todas as estações.

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Começar um texto pela conclusão é fria

Estou com duas páginas do wordpress aberta. Os dois começaram com o mesmo processo: o título. Os dois apresentam conclusões mas o texto ainda não foi desenvolvido. Estou confusa. Estou consciente sobre um assunto e não consigo dissertar sobre. Alguma coisa está errada.

J. K. Rowling sabia o final de Harry Potter quando decidiu levar adiante seu talento para a literatura. ‘São 7 livros!’, ela fala em Magic Beyond Words – Magia além das palavras. Ela tinha parte da história escrita, mas em sua mente, um mundo inteiro estava formado. Não preciso falar da conclusão da história dela, não é?!

Eu não tenho uma prova nem uma explicação para essa afirmação. Mas o fato é que comecei a escrever esse texto há dez meses atrás e nada de chegar ao fim. A conclusão dele estava e está tão exata na minha mente que apenas o começo deu fim nas minhas palavras.

 

 

 

Só preciso de café e um prato branco

 Eu realmente preciso comprar pratos brancos para casa. Sempre me sinto inspirada quando vejo um prato branco, quero desenhar, cozinhar e inventar qualquer coisa para combinar com a beleza do espaço em branco, que não será protagonista, mas é parte essencial para o resultado final.

Há muito tempo atrás nós ganhamos um bolo que a vizinha nos enviou e este veio num belo prato branco. Eu queria sim comer o bolo, sou fissurada por bolo caseiro, ainda mais quando não sou eu que faço. (Tá aí uma coisa na qual eu preciso fazer um curso na minha vida: aprenda a cozinhar bolo caseiro).

Mas o que vai bem com bolo mesmo é o tal do café né, rapaz?! Eu cresci aprendendo a tomar café. Sou mineirinha mermo, aprendi a passar café na minha infância. Tenho belas histórias sobre as reuniões que envolvem o café, essa sim é uma bebida que acalma meu coração, compõe a melhor refeição do dia e me deixa acordada também. É amor, é amor!❤

E para esse amor, um desenho especial em que o próprio pó de café é o protagonista de um prato branco. Passei o café com carinho, degustei na minha caneca predileta e o pó que estava no coador virou arte nas minhas mãos.

 

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O projeto Paper is NOT the limit consiste em produzir o mesmo desenho com técnicas e materiais variados e alternativos, na busca por criatividade e aperfeiçoamento artístico.

Confira mais obras do projeto: Paper is NOT the limit

Uma função para amar

No primeiro final de semana de abril a Heineken trouxe a São Paulo a taça da UEFA Champions League. Consegui o ingresso para levar meu irmão e inspirá-lo nessa paixão pelo futebol. Foi emocionante vê-lo emocionado. Eu observei a cena e pensei que jamais eu amei fazer algo como ele ama o futebol. Senti uma leve dor mas acreditei que ainda havia tempo para encontrar um esporte, um hobby que me fizesse tão feliz e vibrante como o futebol faz a ele.

Um final de semana depois São Paulo recebeu a São Paulo Arte, uma feira com cerca de 120 galerias do mundo inteiro, ou seja, muitos e muitos artistas. Eu decidi ir para buscar inspiração para o meu trabalho. Observar é um dos melhores exercícios para se aprender.

Já nos primeiros passos na feira eu fiquei extasiada com as obras que nos receberam. Minimalistas, poucas cores. Combinando com o meu estilo e meu objetivo na arte. Eu e a  Renata andamos por lá por horas, paramos para comer umas castanhas e bebemos muita água, mas os nossos pés estavam bem animados para continuar andando.

Conheci galerias e trabalhos de artistas tão profundos que me emocionava, por dentro. As lágrimas não escorreram mas eu estava com uma explosão de alegria interna que não dá pra explicar como é esse negócio. Me identifiquei com tantos trabalhos e me vi pronta para fazer outros. Me inspirei a tal ponto que lembrei da reação do meu irmão ao olhar a taça.

 – Achei! Eu gritei internamente, extasiada, enquanto observava uma obra na qual me apaixonei. Encontrei algo que amo profundamente e que não é simplesmente algo que faço, mas o que o outro faz também. É isso que é o amor. Você ser humilde a ponto de amar o que o outro faz, mesmo que ele faça melhor que você.

Voltei para casa com uma explosão de ideias e vontades, e a resposta disso veio num espaço ainda maior para eu desenvolver meus trabalhos. Tirei milhares de fotos lá para inspirar você também a buscar algo a que amar, e se ama, conta pra mim, compartilhe a sua experiência. #respirearte

Me inspirei na linha vermelha do metrô de São Paulo

Desde que mudei para São Paulo aprendi duas coisas: Paulista se apaixona no metrô como trocar de roupa, muda de estação que passa. E a segunda é que a linha vermelha não vai tornar seu dia melhor. Pelo contrário, ela pode te deixar com sequelas de stress, dores de cabeça e você ainda pode descobrir um malvado que estava dormindo dentro de você.

Eu explico… você está indo pra casa, depois de um dia cansativo, o trânsito está uma loucura e aí você encontra um colírio para seus olhos lá do outro lado no metrô. Você fixa na pessoa, esquece dos problemas, e por minutos se apaixona por encontrar um ser tão interessante em um dia tão difícil. Até a hora que alguém tem que descer na estação, você fica chateado porque você queria perguntar o nome e desejar um bom dia, mas as portas se fecharam e a vida continua. Uma coisa que não aprendi ainda é como ir adiante com esses flertes no metrô. Se alguém souber, por favor me ensina!

Eu trabalhava na Barra Funda no ano de 2015, era tão difícil ir pra lá diariamente, mas a dor mesmo era conseguir chegar em casa. Sério! Já vim agarrada mil vezes em pessoas desconhecidas porque não tinha espaço para ficar. Se você, quiser, a gente toma um café e eu te conto as mil histórias que vivi em sete meses. É muita coisa bizarra para escrever num post.

O stress de enfrentar essa vida de apertos e sufocos na linha vermelha me deu uma ideia. Eu iria prestar atenção nas coisas boas que tivessem acontecendo no metrô, para me desligar das coisas ruins. Foi um jogo mental que inventei para chegar em casa menos irritada e com mais energia para continuar meu dia. E assim foi. Observei cenas, pessoas, situações. Me apaixonei rapidamente, olhei nos olhos de um estranho profundamente, sorri ao ouvir um cara explicar para uma criança o que são os anjos. Me encostei ao lado de alguém para curtir a música que ouviam e então, meus minutos na linha vermelha do metrô se tornaram mais amenos.

Puxa! Que aventura foram esses dias! Com esse exercício, eu chegava em casa ou no trabalho e reproduzia uma coisa boa que ví. Está aí para vocês verem:

E ah! Não deixa os esbarrões do dia a dia te tirar do sério. A vida é muito mais que nossas dificuldades. Sorria e procure pelas coisas boas.

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Sobre café, açúcar e bares

 

Recentemente me dei conta que meu amor pelo café tem algumas restrições. O açúcar era a combinação a qual eu mais prezava, e não tinha noção do quanto prejudicava o sabor. Fui criada com avó, mineira, era puro açúcar com café o que aprendi a tomar desde pequena.

Há um ano mais ou menos eu decidi tirar gradualmente o açúcar do café. Descobri um sabor que até então, desconhecia.

A sensação é de andar por uma montanha úmida, cheia de árvore e pássaros cantando, e se sentir protegido a qualquer tipo de ameaça que pode surgir de fora. A única coisa que pode ser difícil é o caminhar na lama descalço e o afundar a cada passo.

A verdade é que tudo depende de como adaptar ao zero açúcar, essa é a lama crescendo na perna. Isso leva um tempo mas você precisa pegar o jeito. A lama ainda me assusta um pouco, me afundo e saio correndo. Ao menos uma colher de açúcar é necessária.

A verdade mesmo é que o café sem açúcar deveria ser servida em barzinhos. A sensação da bebida e o sabor deveriam ser servidos como whiskey. Uma dose, um sabor para apreciar, pessoas a volta para conversar e uma filosofia de vida para levar adiante.

Garçom, uma dose de café puro no copo de whiskey, por favor!

Desenho com giz na calçada

“Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite”, ele contou quando o ônibus em que estávamos, bateu em um carro. Paramos e descemos junto com todos os passageiros. A proposta já tinha vindo: andar na Paulista e ir andando para casa. O que são mais duas quadras para caminhar?!

Um foodtruck nos abasteceu a garganta e seguimos tentando contatar os amigos, porque casa já não era mais o objetivo final. Passamos por uma praça cheia de desenhos com giz, e tão atenta que estava nos desenhos fui direto à um desenhista questionar onde é que tinha giz porque meus dedos já estavam coçando.

Na sexta-feira passada fiquei sem apresentar a vocês mais uma parte do projeto Paper is NOT the limit, fiz uma edição especial então com o giz na calçada. Tão simples que foi, tão acessível que é, não havia passado pela minha cabeça nem adentrado a minha lista.

Eu gostei do resultado e foi divertido demais desenhar no chão, lembrei um pouco da infância. Que bom que a arte nos proporciona essa liberdade. E você? O que achou?

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O projeto Paper is NOT the limit consiste em produzir o mesmo desenho com técnicas e materiais variados e alternativos, na busca por criatividade e aperfeiçoamento artístico.

Confira mais obras do projeto: Paper is NOT the limit

Onde os demônios se escondem

 – Por quê fala com um sorriso no rosto, sendo que seus olhos, dizem a tristeza que está por dentro?

 – O que me impede de falar sobre um assunto, e estar sentindo algo diferente por dentro?

 – Eu não sei. Mas parece que o sentimento não condiz com as palavras.

 – Quer dizer que enquanto eu estiver triste, não posso sorrir?

 – Não diria isso. Mas seu sorriso parece verdadeiro demais, para quem está com dor por dentro.

 – Em nenhum momento eu te disse que estava triste, você chegou a essa conclusão através de uma interpretação. Agora você diz que meu sorriso é verdadeiro. O que você acha realmente que estou sentindo?

 – Eu não sei… Eu estou tentando entender.

 – Você na verdade não precisa entender isso. O que te faz achar que existe dor em mim?

 – Seus olhos não apenas olham as coisas. Eles confessam um algo a mais. É a parte de você que mais comunica. É um silêncio que move o interior. Quase não dá pra acreditar como um olhar fala tanto. Eu poderia escrever textos sobre o que você está vendo, sem saber o que está entrando em sua retina. Eu vejo o universo inteiro em tua íris.

 – E a dor? Você não falou dela…

 – Acho que na verdade a dor está em mim. Por querer mergulhar neste universo que não me pertence mas me faz acreditar que pode ser parte de mim também.

 – E o sorriso?

 – Ele me incomoda pois é o que eu vou sentir se conseguir adentrar neste universo. Eu ainda não sinto o sorriso verdadeiro em mim, eu o desejo.

 – Porque se cobra em entender algo ao invés de descobrir o que há dentro de seus olhos? Quer dizer… se você conseguir sentir profundamente o que há dentro de você, talvez enxergue com mais clareza o que há dentro de mim. Ao invés de entender, nossos olhos podem ser complementos um do outro, assim como nossos universos. Mas nunca seremos as mesmas pessoas, pois a autenticidade é necessária para construir o caráter. Você não precisa ser um outro alguém para ver o que há aqui, mas existem maneiras diferentes de descobrir isso.

 – E como consegue sentir tanto de dois sentimentos tão distantes?

 – Distantes? Eles são parte de quem eu sou, andam lado a lado. Portanto, sentir, é o que me move. Triste ou feliz, eu me permito colocar o sentimento para fora, ao invés de guardá-los em gavetas. Posso muito bem lidar com as duas coisas e não me sentir afugentada ou traída por mim. O que me dói agora pode se transformar em alegria depois.

 – Eu não entendo…

 – O que?

 – Como posso olhar para mim e não querer fugir?

 – Se você foge de quem você é, você não encontra mais ninguém. Nunca vai conseguir olhar nos meus olhos e sorrir, apenas vai questionar o que é que está vendo, ao invés de olhá-los.

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Você já desenhou com cola?

Você já desenhou com cola?

Desde nova gostava de brincar com cola, eu enchia as mãos e deixava secar para ver as minhas digitais nas tiras que eu conseguia tirar sem rasgar. Aí minha avó falava que eu poderia contrair câncer de pele se continuasse fazendo esse tipo de brincadeira.

Aliás… vocês já devem ter percebido que sempre uso a minha pele como canvas. Desenhar e escrever na pele é uma mania. Eu tenho um projeto que um dia vou tirar do papel, para diferentes peles, é claro. Eu também já trabalhei pintando rosto de crianças em festas e eventos.

Um dia estava separando os inúmeros papéis que tinha nas minhas gavetas. Acabei encontrando capas de blocos de folhas que guardei para usar em alguma ocasião. E bom… eu estava eliminando papéis, queria mesmo era ter mais espaço. Mas… apaixonada por pedaços de papéis que sou, fiz um experimento.

Peguei um pincel, cola branca e uma das capas. O interessante de desenhar com cola é que o desenho tem um resultado no começo, e depois que seca, se torna algo totalmente diferente. Sem contar o alto relevo delicioso que ele se torna.

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O projeto Paper is NOT the limit consiste em produzir o mesmo desenho com técnicas e materiais variados e alternativos, na busca por criatividade e aperfeiçoamento artístico.

Confira mais obras do projeto: Paper is NOT the limit

O Tordo está entre nós

The World is changed. I feel it in the water. I feel it in the earth.

Sempre amei a história que é contada no começo de Senhor dos Anéis. Escrito há tanto tempo e é um texto tão atual.

Fui a uma palestra em que abordaram o como o ano de 2016 e os anos seguintes vão mudar o nosso mundo. Existe uma onda muito densa acima de nós. É visível nos noticiários, é visível nas ruas, na economia, nas profissões, nas doenças, em como as pessoas estão criando consciência de assuntos que antes eram tabus.

Muitas lutas que estão acontecendo há tempos, serão definidas. As guerras vão chegar ao fim. Para que as tribulações passem, elas primeiro precisam vir, passar. Do contrário, ela sempre vai bater por aqui e causar estragos constantes, talvez menores, mas não será resolvido.

Eu acho que chegou a hora de viver a sequência de um filme. Passar por todas as lutas possíveis, viver as guerras, ter grandes perdas, para então o ser humano se voltar para o bem. Escolha estar bem, encontre o equilíbrio entre a alma e o corpo físico.

Sinto uma revolução no ar.

Que o Tordo se levante!