Pit Stop! Parada obrigatória

Alguns dias atrás fui com alguns amigos assistir a homenagem do Parque Ibirapuera a Ayrton Senna. Fui sem expectativa, confesso. Enquanto a homenagem acontecia, espelhada nas lindas fontes, ouvia um amigo inconsolável chorar sem medo. “Meu ídolo”, ele disse no caminho até lá.

Eu fiquei segurando o meu celular, tentando tirar uma foto interessante, prestava atenção em tudo, mas não me comovi como muitas pessoas. Logo após as palmas de orgulho e saudade, levantei e avistei muitos olhos marejados. – Um mar passou por alí e não me levou. Não chorei, mas minha garganta parecia seca. Minha voz não queria sair. Segui atrás de todo mundo, bem atrás mesmo. Só andando e observando.

Num momento qualquer, que parecia ser muito específico, eu me cobrei. Olhei para trás na vida e contei os passos errados. Quando a negatividade abaixa, você só se vê errado. – Lembra quando o Airton precisou fazer uma parada no pit stop, foi tão difícil, pois vários carros passaram na frente. Mas depois de muita luta e insistência, ele acabou a corrida em primeiro lugar, disse Rosinha.

E alí, andando atrás de todos, me dei conta. Estou no Pit Stop. Precisei parar, do contrário, eu não poderia continuar. Tive que descer do carro, fazer um check-up, trocar algumas peças para depois voltar para a corrida.

A parada só é dolorosa quando você não se dá conta de que ela é benéfica. Quando se abre os olhos para o objetivo, a ato de parar, é só um passo recuado para tudo entrar nos eixos. E vou te dizer, que delícia se dar conta disso. Que venha a corrida!

Etiqueta da saudade

Encontrei uma caixa guardada na casa de meu pai há alguns anos. Dentro dessa caixa, saíram lembranças de um passado distante. Cada objeto que tirava da caixa, meu rosto esboçava uma reação.

Meu pai, que me ouvia atento pelo outro cômodo da casa, passou por mim e disse: “A Jessica é saudosa!”. “O quê, pai?!. Foi a primeira vez que ouvi essa palavra. Ele expressou de tal maneira, que eu tive a impressão de que se tratava de algo muito ruim. – O som dessa palavra me soa negativo. Pensei comigo enquanto repetia a palavra.

Um dia disse para um amigo que estava com saudades. Ele respondeu: “okay”. Mas foi bem seco tipo: ” ouuuukaaaay…”. Foi a primeira vez que eu me dei conta do significado da ‘saudade’. Uma palavra carregada com tanto amor e carinho, não deve ser dita assim, às pressas de um coração solitário.

Quando meu pai me explicou o significado de ‘saudosista’, eu confirmei o que eu havia pensado. Tomei desgosto por essa palavra e decidi que não queria ser essa pessoa.

“Saudade é uma doença passageira, cachimbo de feiticeira. Pega a gente a vida inteira.” Esse trecho da música de Rio Negro, é uma bela poesia sobre a bipolaridade do sentimento. É uma mão de duas vias, onde no carinho e no amor, a estrada está livre pra você passar. Do outro lado, o trânsito parece fluir, logo adiante está uma grande carreta vindo ao encontro do seu carro. Mas para escolher qualquer via, você vai ter que caminhar vendado.

Encontrei esse texto engavetado. Justo numa semana em que a saudade tá me chamando de minha e me trazendo pessoas à memória. Desde que estar saudosa seja um estado de espírito onde o meu controle está acima de tudo, não há problemas em relembrar pessoas e momentos. Nem oito nem oitenta. Eu aprendi a respeitar o ato de sentir saudades. Não em vão, não em excesso, só… saudade.

Você tem 40 minutos

Já era 8h12 da manhã quando me dei conta do que afligia meu coração desde a noite anterior. “PRECISO CONSEGUIR INGRESSO PARA O SHOW DO BACKSTREET BOYS!”, gritei dentro da minha cabeça. Entre respirar, pensar, preparar o café e ir comprar pão, eu fiquei estática no meio da cozinha. Peguei o celular, coloquei a blusa e ia saindo para comprar o pão. Celular em mãos, fui direta com meu pai. “Preciso comprar o ingresso!”, “Mas que ingresso, minha filha?”. Travei denovo. Eu falei como ele na semana passada, caramba! Tranquei a porta, entrei no elevador. Ajeitei o cabelo. “Fala sério, Jessica! A blusa está do lado avesso!!”. “Tô nem aí!”, pensei enquanto saía do elevador e dava risada da situação. “Tenho 20 minutos pra preparar o café até liberar a venda de ingressos”. Um passo atrás do outro e sei lá, muito mais rápido do que eu conseguia pensar, eu já estava em casa, com o pão comprado, esquentando a água do café e mandando mensagens adoidadas para a Bru se preparar que estava quase na hora. Eu cheguei a imaginar nesse instante, esse momento, e o celular caindo da minha mão, na água quente. – Respira 1,2,3… dá tempo ainda.

Fui até o quarto com o café preparado, me ajeitei na cadeira, peguei a caneca e fiz uma selfie para meu tio. Chegando sempre o site do Ticket 4Fun. – 123, estou calma! 123, estou CALMA! 123.. … tá nA HORAAAAAAA! Não disponível – Não disponível – Não disponível – Esgotado. E ainda, nem estava liberado para o público em geral. – MALDITO CARTÃO DINER!! A Bru estava prestes a entrar numa reunião, eu não parava de mandar mensagens, eu apavorada, apavorando-a. O tempo passando. Nada de ingresso. Eu não sabia se orava pra ela não entrar em reunião, ou se pra gente conseguir ingresso, ou se.. sei lá. Não dá pra pensar! Preciso ir trabalhar e NADA de ingresso!!!!

Entre coloca uniforme, escova dente, coloca o brinco, vasculha a bolsa, eu atualizava a página com o celular a mão, na esperança de conseguir algo. “Preciso trabalhar…” Desisti. Até pensei em continuar tentando quando chegasse lá, mas no fundo eu desisti. “Não vou conseguir ir ao show que espero desde os 5 anos”. Não era pra ser. Meu conformismo me matou.

No trabalho, eu só pensava em como conseguiria um ingresso. Fiz uma coisa aqui, outra alí. Tentei. Mas tentei com o coração largado, já sabendo que a resposta viria negativa. – Da outra vez foi assim. Atualizar, atualizar, atualizar. Página de pagamento: “CARAAAAAAAAAAMBA!!!!!!!” Travei denovo! É só colocar o número do cartão. Vai Jessica! Cérebrooooo, por favor mande o comando para os meus dedos! 123… com a voz mais calma do mundo e num tom de suspiro eu disse: – c o n s e g u i.

Nunca tinha dado a vida para comprar ingressos. Que desespero mais estranho! Não que desespero seja algo positivo, porque.. cleary, não é. Mas… quase pareceu que era. No fundo, eu estava eufórica com a sensação do sonho realizado. C A R A C A! Eu vou ao show da banda do som da minha infância!!! Tô boba até hoje. Espalhei a notícia de um em um. Abracei amigos. Gritei mil vezes dentro da minha cabeça. Mas… deixa junho chegar. 4 dias antes do meu aniversário, farei uma comemoração épica!

Era quase 11 horas quando eu e a Bruna conseguimos o ingresso. Sabe o que é você realizar um sonho, que sonha desde criança e querer correr para o mundo gritando e gritando?! Quem faz isso? Troquei mensagens eufóricas pra quem entende da importância desse show pra mim. Olhei o ingresso no email. Fechei. Guardei o celular. Ainda tremendo, voltei pra vida: – Bom dia! Pois não?!

Tenho me descoberto no minimalismo. Antes, apenas uma paixão pelo preto e branco, acabei desenvolvendo minha técnica. Depois, a mudança no estilo de vida. Só então fui pesquisar a fundo sobre o assunto.

Ainda há muito o que entender, mas minimalismo fala gentilmente no ouvido que o “pouco é mais”. Desde o pensamento, até o relacionamento, os desenhos e as escolhas diárias. Tão simples viver bem, basta perceber.

 

jessica tavares- minimalismo - retalho da vida

jessica tavares- minimalismo - retalho da vida

Energia que dá gosto!

– Vamos fazer aquele doce que tem nutella dentro?

– Vamos!
Mais ou menos umas três horas para dar conta de fazer docinhos para 10 pessoas. Coisa simples, só família. Mas do melhor. Porque a gente deseja as coisas melhores, para aqueles que mais amamos. Todo mundo almoçou e eu e Thais fomos para a cozinha terminar o bendito de nutella. Um copo de gelo com energético foi necessário para manter a boca ocupada. E não devorar o docinho.

A tia fez questão de acompanhar o processo pra ter certeza de que só o energético entrava na boca. O resto da galera estava a espera. Copos sendo consumidos antes de que tudo ficasse pronto. O suporte de plástico verde foi o escolhido. Essa é a cor predileta do meu pai.

– PARABÉNS PRA VOCÊ! NESTA DATA QUERIDA…

Bom, depois disso foram só abraços, e balões estourando. E uma fúria de titãs nos doces que nem duraram horas. Foi assim, direto pra estômago.

Jessica Tavares - Retalho Da Vida

Jessica Tavares - Retalho Da Vida

Jessica Tavares - Retalho Da Vida

Jessica Tavares - Retalho Da Vida

Jessica Tavares - Retalho Da Vida

 

Decidi compartilhar com você

Caro leitor,

Esse post é direcionado  a pessoas específicas. Gostaria de poder escrevê-lo para todos, mas perderia todo o sentido.

Você que recebeu um livro e chegou até aqui, fico contente pela sua curiosidade. Meu objetivo era instigá-lo.

Bom, você recebeu um livro que já li. Talvez ele tenha até algumas anotações, mas eu lhe asseguro que todo o carinho ele teve, enquanto esteve em minhas mãos. Para ele chegar até você, eu tive que enfrentar várias teorias. Quando comecei a ler para valer, aos meus 13 anos mais ou menos, eu desejei ter a minha própria bilbioteca. Acho que é uma das coisas que mais amo olhar: pilhas de livros. Gosto de viajar pelos títulos. Vejo a minha mente sem limites.

Recentemente me mudei de casa. Ao abrir as caixas, me deparei com livros em mais de 5 caixas. Normalmente eu me sentiria feliz, mas não foi assim. Eu já me mudei várias vezes e me desfaço de tudo, menos dos livros. A pilha só cresce e eu ainda não lí todos. Isso fez de mim, mais apegada do que eu imaginava.

Há dois anos eu tinha a ideia de não manter os livros. Fui à um sebo e vendi alguns exemplares. A sensação foi de tristeza e arrependimento. Guardei os outros e mantive caixa a caixa em cada mudança.

Depois de muito questionamento, e de ouvir teorias de outras pessoas. Tive que tomar uma decisão. Meu apelido na faculdade era ‘traça’. Não podia ver um livro que eu já estava folheando e pedindo emprestado.

Decidi que preciso deixar os meu livros ir. Tive que praticar muito desapego nos últimos tempos, resolvi aplicar isso como objetivo de vida. Viver e compartilhar acho que é a melhor forma de se encontrar.

Você recebeu um livro por um motivo. Ao lê-lo ou ao separá-lo para compartilhar, eu vi em você um potencial para ser o novo dono. Receba essas páginas como um tesouro, essas páginas foram muito amadas pelo antigo dono. Indico a você esta leitura, e desejo que você compartilhe com outrem um dia. E assim, os livros sempre possam seguir seu rumo. Levando conhecimento e histórias.