Desenhando com comida – Doce de leite

Esse post tem sabor da minha infância. Quando nova fui ensinada e mantive o hábito de comer doces. Algo que estou conseguindo controlar só agora nos meus vinte e tantos anos. A minha felicidade era ganhar moedinhas, ou caçá-las pela casa e ir até uma vendinha ou barzinho qualquer, trocar por doces.

Tinha uma época que eu até trocava o passe do ônibus em dinheiro para ir comprar doces. E você acredita que em Poços de Caldas, a cidade onde eu morava, o cara do ‘beijinho e brigadeiro’, aceitava o passe como pagamento?! haha Bons tempos. E foi a época que eu fui mais magra viu?! Voltava à pé pra casa, comendo doce e feliz da vida. Claro que eu e minha irmã fazíamos isso escondido. Só este momento da vida, é a hora de propagar essa peripécia. haha

Um dos doces que eu mais amava, era aquele doce de leite no saquinho, sabe?! Morder a pontinha e sair só um pouquinho. Passar o dia inteiro comendo doce de leite como se não houvesse o amanhã.

Hoje eu não tenho tanto amor assim por esse doce de leite. Agora fiquei mais crítica com o sabor. Mas… comprei esses tempos com um ar nostálgico. E.. acabei nem comendo. Tornei a nostalgia dessa história, fixa, em arte. Desenhei no prato numa correria pra ir viajar. Fixou, fotografei, lavei o prato. Como as memórias que criamos e relembramos são boas, não é?! Algumas coisas precisam vir à mente de vez em quanto para tomar consciência de quem somos, ou fomos, ou queremos ser.

Eu quero ser uma pessoa com menos açúcar na minha vida. Quero isso para a geração que virá depois de mim também.

P.s: Dedico esse post para a Thaís Rodrigues. Minha companheira de paçoca e recuperação de equilíbrio. Te amo, irmã!

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O projeto Paper is NOT the limit consiste em produzir o mesmo desenho com técnicas e materiais variados e alternativos, na busca por criatividade e aperfeiçoamento artístico.

Confira mais obras do projeto: Paper is NOT the limit

Para onde estão indo as linhas?

Descobri a astronomia no ensino médio. Uma professora muito engajada com os alunos, nos convocou a participar de uma olimpíada de Astronomia. – Mas professora! Nós nunca estudamos isso e nem sabemos direito o que é astronomia!

E assim foi… um grupo de amigos muito unidos. Três meninos, três meninas. Ficávamos estudando as estrelas, os planetas depois da aula. Aos poucos pegamos o gosto pelo assunto e o ambiente de estudo se tornou agradável. A amizade fortaleceu e nossos assuntos por um tempo, foram mudando. Fizemos a  d i f i c í l i m a  prova e ficamos com uma colocação beeem distante. Mas comemoramos entre nós que o menos interessado, pegou a melhor colocação.

O tempo passou e o céu nunca mais foi o mesmo para mim. Observo as estrelas e a Lua sempre que posso à olho nu mesmo. Me emociono quando o céu está estrelado ou a Lua parece estar tão próxima. E assim será sempre. E sempre será assim.

Esses dias no Ibirapuera eu estive com amigos fazendo um piquenique. Pela primeira vez eu observei uma das obras de Niemeyer com um olhar tão profundo. Ele desenhou o espaço para te levar a olhar para cima. As linhas seguem para te mostrar a composição da criação do homem, com a criação de Deus.

Niemeyer é poeta, criou monumento para complementar a vista para o céu. Te desafio a seguir as linhas que encontrar pelo caminho, e buscar para onde elas te levam!

 

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Where the Light

Eu fiz cursos de fotografia e não conseguia ter a percepção de luz que tanto se falava. Sabia que meu olhar era diferente mas não percebia de maneira consciente como ele funcionava.Via todo mundo conversando sobre técnicas e não entendia muito bem, eu escutava atenda porque queria aprender, mas quando estava só, apenas fazia a foto, sem muito.

Foi através da janela que eu percebi a luz. Morei num quarto com uma janela grande onde a luz do sol me chamava para levantar, e quando estava nublado o quarto ficava um pouco escuro pela manhã, mas o vento avisava que estava na hora do café. Depois fui para um quarto com uma janela pequena, não coloquei cortina, a claridade era constante e ao longo do dia eu percebia a sombra na parede.

Me encantei pela forma como a sombra se movia e mudava de intensidade. Passei uma tarde de domingo desenhando no quarto e só queria observar a dança da luz e da sombra. Foi o menor quarto que vivi e o quarto que me deu a maior percepção.

Hoje numa conversa eu descobri a importância de criar a consciência de algumas situações. Através da percepção, nós temos uma conclusão mais aprofundada e uma visão mais ampla.

Preste atenção na luz que entra na sua janela. Ela não é a mesma duas vezes. Ela não é a mesma nos diferentes horários.

Onde a luz. Sem acento mesmo. Licença poética aqui. É minha visão fotográfica com câmera e luz natural. É a maneira mais simples que gosto de perceber o mundo. Confira minhas fotos aqui: where-the light.

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modelo: Flavio Rodrigues

p.s: Vocês vão cansar de ouvir eu falar sobre janelas.

 

Eu prefiro praia no inverno

Em setembro de 2014 eu saí de SP e fui visitar o meu pai no Espírito Santo. Em Anchieta fazia um frio gostoso e uma chuvinha constante. Eu já havia experimentado essa temperatura por lá alguns meses atrás. Um café da tarde bem preparado e o mar como vista infinita para o dia.

Caminhei nas pedras com um cobertor nas costas, o frio não era de matar, mas o vento com as gotículas de água, causavam arrepios de frio. Uma sensação muito gostosa, diga-se de passagem.

O barulho do mar nas pedras era nossa música, não tinha motivos para pedir mais da vida do que aquele momento. Minhas coisas prediletas num só lugar.

Descobri que o motivo de tanto bem estar não era o café nem o frio, que são minhas paixões escancaradas. Era o azul, o verde, a mistura de cores. Os sabores, a dança e o barulho, e tudo o que o mar proporciona. Descobri que sentia saudades da água batendo, da água respingando, de apenas sentar e observar.

Aí eu descobri que não prefiro a praia no inverno, eu quero o mar em todas as estações.

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Começar um texto pela conclusão é fria

Estou com duas páginas do wordpress aberta. Os dois começaram com o mesmo processo: o título. Os dois apresentam conclusões mas o texto ainda não foi desenvolvido. Estou confusa. Estou consciente sobre um assunto e não consigo dissertar sobre. Alguma coisa está errada.

J. K. Rowling sabia o final de Harry Potter quando decidiu levar adiante seu talento para a literatura. ‘São 7 livros!’, ela fala em Magic Beyond Words – Magia além das palavras. Ela tinha parte da história escrita, mas em sua mente, um mundo inteiro estava formado. Não preciso falar da conclusão da história dela, não é?!

Eu não tenho uma prova nem uma explicação para essa afirmação. Mas o fato é que comecei a escrever esse texto há dez meses atrás e nada de chegar ao fim. A conclusão dele estava e está tão exata na minha mente que apenas o começo deu fim nas minhas palavras.

 

 

 

Só preciso de café e um prato branco

 Eu realmente preciso comprar pratos brancos para casa. Sempre me sinto inspirada quando vejo um prato branco, quero desenhar, cozinhar e inventar qualquer coisa para combinar com a beleza do espaço em branco, que não será protagonista, mas é parte essencial para o resultado final.

Há muito tempo atrás nós ganhamos um bolo que a vizinha nos enviou e este veio num belo prato branco. Eu queria sim comer o bolo, sou fissurada por bolo caseiro, ainda mais quando não sou eu que faço. (Tá aí uma coisa na qual eu preciso fazer um curso na minha vida: aprenda a cozinhar bolo caseiro).

Mas o que vai bem com bolo mesmo é o tal do café né, rapaz?! Eu cresci aprendendo a tomar café. Sou mineirinha mermo, aprendi a passar café na minha infância. Tenho belas histórias sobre as reuniões que envolvem o café, essa sim é uma bebida que acalma meu coração, compõe a melhor refeição do dia e me deixa acordada também. É amor, é amor!❤

E para esse amor, um desenho especial em que o próprio pó de café é o protagonista de um prato branco. Passei o café com carinho, degustei na minha caneca predileta e o pó que estava no coador virou arte nas minhas mãos.

 

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O projeto Paper is NOT the limit consiste em produzir o mesmo desenho com técnicas e materiais variados e alternativos, na busca por criatividade e aperfeiçoamento artístico.

Confira mais obras do projeto: Paper is NOT the limit

Uma função para amar

No primeiro final de semana de abril a Heineken trouxe a São Paulo a taça da UEFA Champions League. Consegui o ingresso para levar meu irmão e inspirá-lo nessa paixão pelo futebol. Foi emocionante vê-lo emocionado. Eu observei a cena e pensei que jamais eu amei fazer algo como ele ama o futebol. Senti uma leve dor mas acreditei que ainda havia tempo para encontrar um esporte, um hobby que me fizesse tão feliz e vibrante como o futebol faz a ele.

Um final de semana depois São Paulo recebeu a São Paulo Arte, uma feira com cerca de 120 galerias do mundo inteiro, ou seja, muitos e muitos artistas. Eu decidi ir para buscar inspiração para o meu trabalho. Observar é um dos melhores exercícios para se aprender.

Já nos primeiros passos na feira eu fiquei extasiada com as obras que nos receberam. Minimalistas, poucas cores. Combinando com o meu estilo e meu objetivo na arte. Eu e a  Renata andamos por lá por horas, paramos para comer umas castanhas e bebemos muita água, mas os nossos pés estavam bem animados para continuar andando.

Conheci galerias e trabalhos de artistas tão profundos que me emocionava, por dentro. As lágrimas não escorreram mas eu estava com uma explosão de alegria interna que não dá pra explicar como é esse negócio. Me identifiquei com tantos trabalhos e me vi pronta para fazer outros. Me inspirei a tal ponto que lembrei da reação do meu irmão ao olhar a taça.

 – Achei! Eu gritei internamente, extasiada, enquanto observava uma obra na qual me apaixonei. Encontrei algo que amo profundamente e que não é simplesmente algo que faço, mas o que o outro faz também. É isso que é o amor. Você ser humilde a ponto de amar o que o outro faz, mesmo que ele faça melhor que você.

Voltei para casa com uma explosão de ideias e vontades, e a resposta disso veio num espaço ainda maior para eu desenvolver meus trabalhos. Tirei milhares de fotos lá para inspirar você também a buscar algo a que amar, e se ama, conta pra mim, compartilhe a sua experiência. #respirearte

Me inspirei na linha vermelha do metrô de São Paulo

Desde que mudei para São Paulo aprendi duas coisas: Paulista se apaixona no metrô como trocar de roupa, muda de estação que passa. E a segunda é que a linha vermelha não vai tornar seu dia melhor. Pelo contrário, ela pode te deixar com sequelas de stress, dores de cabeça e você ainda pode descobrir um malvado que estava dormindo dentro de você.

Eu explico… você está indo pra casa, depois de um dia cansativo, o trânsito está uma loucura e aí você encontra um colírio para seus olhos lá do outro lado no metrô. Você fixa na pessoa, esquece dos problemas, e por minutos se apaixona por encontrar um ser tão interessante em um dia tão difícil. Até a hora que alguém tem que descer na estação, você fica chateado porque você queria perguntar o nome e desejar um bom dia, mas as portas se fecharam e a vida continua. Uma coisa que não aprendi ainda é como ir adiante com esses flertes no metrô. Se alguém souber, por favor me ensina!

Eu trabalhava na Barra Funda no ano de 2015, era tão difícil ir pra lá diariamente, mas a dor mesmo era conseguir chegar em casa. Sério! Já vim agarrada mil vezes em pessoas desconhecidas porque não tinha espaço para ficar. Se você, quiser, a gente toma um café e eu te conto as mil histórias que vivi em sete meses. É muita coisa bizarra para escrever num post.

O stress de enfrentar essa vida de apertos e sufocos na linha vermelha me deu uma ideia. Eu iria prestar atenção nas coisas boas que tivessem acontecendo no metrô, para me desligar das coisas ruins. Foi um jogo mental que inventei para chegar em casa menos irritada e com mais energia para continuar meu dia. E assim foi. Observei cenas, pessoas, situações. Me apaixonei rapidamente, olhei nos olhos de um estranho profundamente, sorri ao ouvir um cara explicar para uma criança o que são os anjos. Me encostei ao lado de alguém para curtir a música que ouviam e então, meus minutos na linha vermelha do metrô se tornaram mais amenos.

Puxa! Que aventura foram esses dias! Com esse exercício, eu chegava em casa ou no trabalho e reproduzia uma coisa boa que ví. Está aí para vocês verem:

E ah! Não deixa os esbarrões do dia a dia te tirar do sério. A vida é muito mais que nossas dificuldades. Sorria e procure pelas coisas boas.

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Sobre café, açúcar e bares

 

Recentemente me dei conta que meu amor pelo café tem algumas restrições. O açúcar era a combinação a qual eu mais prezava, e não tinha noção do quanto prejudicava o sabor. Fui criada com avó, mineira, era puro açúcar com café o que aprendi a tomar desde pequena.

Há um ano mais ou menos eu decidi tirar gradualmente o açúcar do café. Descobri um sabor que até então, desconhecia.

A sensação é de andar por uma montanha úmida, cheia de árvore e pássaros cantando, e se sentir protegido a qualquer tipo de ameaça que pode surgir de fora. A única coisa que pode ser difícil é o caminhar na lama descalço e o afundar a cada passo.

A verdade é que tudo depende de como adaptar ao zero açúcar, essa é a lama crescendo na perna. Isso leva um tempo mas você precisa pegar o jeito. A lama ainda me assusta um pouco, me afundo e saio correndo. Ao menos uma colher de açúcar é necessária.

A verdade mesmo é que o café sem açúcar deveria ser servida em barzinhos. A sensação da bebida e o sabor deveriam ser servidos como whiskey. Uma dose, um sabor para apreciar, pessoas a volta para conversar e uma filosofia de vida para levar adiante.

Garçom, uma dose de café puro no copo de whiskey, por favor!

Desenho com giz na calçada

“Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite”, ele contou quando o ônibus em que estávamos, bateu em um carro. Paramos e descemos junto com todos os passageiros. A proposta já tinha vindo: andar na Paulista e ir andando para casa. O que são mais duas quadras para caminhar?!

Um foodtruck nos abasteceu a garganta e seguimos tentando contatar os amigos, porque casa já não era mais o objetivo final. Passamos por uma praça cheia de desenhos com giz, e tão atenta que estava nos desenhos fui direto à um desenhista questionar onde é que tinha giz porque meus dedos já estavam coçando.

Na sexta-feira passada fiquei sem apresentar a vocês mais uma parte do projeto Paper is NOT the limit, fiz uma edição especial então com o giz na calçada. Tão simples que foi, tão acessível que é, não havia passado pela minha cabeça nem adentrado a minha lista.

Eu gostei do resultado e foi divertido demais desenhar no chão, lembrei um pouco da infância. Que bom que a arte nos proporciona essa liberdade. E você? O que achou?

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O projeto Paper is NOT the limit consiste em produzir o mesmo desenho com técnicas e materiais variados e alternativos, na busca por criatividade e aperfeiçoamento artístico.

Confira mais obras do projeto: Paper is NOT the limit