Mundo de Narnia

Foi em outubro quando comecei a ler As Crônicas de Narnia. Minha determinação em ler o livro partiu do meu conhecimento em que C.S.Lewis foi melhor amigo de J. R. R. Tolkien. Os dois estudaram juntos a literatura fantástica, partiram de um mesmo ponto de partida, e thank God! Seguiram em diferentes direções.

Chegava no trabalho contando alguma história do livro. As pessoas logo sabiam do que se tratava. Irritei muito gente, eu acho. Tantas páginas, histórias, personagens e ensinamentos, eu sentia vontade instantânea de compartilhar o que eu aprendia.

Comprei o livro em 2010, e só o li de fato em 2014. Lembro que peguei a primeira página e a li desinteressada. “Poxa! Que livro chato!”. Eu e o C. S. Lewis não entramos em concordância com sua forma de apresentar a história. 4 anos depois, já com 24 anos nas costas, eu vivi Narnia por inteiro e trouxe conclusões para a vida.

No começo de 2015 a Letícia me mandou uma mensagem, dizendo que eu precisava estar em Cascavel em maio. Corri para entender a mensagem e logo ela que me conhece tão bem, de tanto tempo de amizade, me convidou para participar do evento O Mundo de Narnia, que homenagearia a obra.

Foram madrugadas de produção e uma correria de achar a voz para transmitir minha experiência com Narnia. Mas deu certo. Os correios entregaram a tempo e o evento foi um sucesso. Tive que acompanhar o evento daqui de São Paulo, e tive todo o apoio de amigos. Isabella foi até lá e me mostrou o evento todo pelo facetime. Deu até para interagir. O mais engraçado foi um amigo dizendo depois. “Eu te vi lá em Narnia. No facetime!”. Vou levar essa frase para a vida.

Eu montei uma mesa para o Chá do Mr. Tumnus. A mesa conta a história das crianças que são levadas a Narnia. E ainda, um caderno sobreposto no meio da mesa, tinha um pequeno texto indicando a pessoa presente, qual o papel dela em Narnia. Usei do minimalismo e interação direta para compor a mesa.

A realeza de Narnia inteira participou do chá e compuseram o espaço que criei. Não tenho tanto detalhes em fotos dos elementos da Mesa, mas… os Reis de Narnia tomaram chá lá. Realização da vida né?!

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Detalhes que compõe a Mesa A Profecia

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Detalhe da parte de cima da obra Mesa A Profecia

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Obra: Mesa A Profecia Artista: Jessica Tavares

 

Fotos: Divulgação O Mundo de Narnia

 

Desde 1995

16 de junho de 1995. Antes de olhar a minha própria certidão de nascimento, eu comemorava o aniversário na data errada. Nasci no dia 18 de junho, mas dia 16 era só festa na vida. Completava 5 aninhos de vida, morava em Itajubá em Minas Gerais.

Cheguei em casa e a família toda esperava com a surpresa. ‘Parabéns pra você! Nesta data queeerida!’ Nunca fui boa com supresas, sempre descubro. Mas como o teatro estava na veia, agi com surpresa e recebi abraços de comemoração. Nenhum presente foi tão interessante como a fita que o tio Pedro me deu. Lado A, Backstreet Boys. Lado B, Nsync.

Só as radios ilustravam meu amor infantil e sincero pela banda. Agora com uma fita no meu radinho portátil, ninguém tirava da minha cabeça que BSB era uma das melhores coisas de todos os tempos. Aos 17 anos comprei o CD Never Gone no Wall Mart, ouvi todas as faixas em casa como quem vive cada letra. Minha mãe não entendia o porquê de sua filha adolescente insistir em escutar uma música tão deprê.

Só percebi no show que Backstreet Boys é um dos motivos por eu ser uma romântica. Que manda cartas, faz desenhos e escreve poemas para quem faz o coração pulsar. Está aí uma coisa que não gosto de admitir. Sempre associei o romantismo ao pensamento negativo das pessoas dizendo: “Ah, Jessica. Você é tão romântica. Não entende as coisas.”. Tomei essa baboseira como verdade por tanto tempo. Me construí coração de pedra, mas sou mesmo coração derretido.

Duas horas de show, uma qualidade vocal impressionante. Quarentões que dançam e pulam sem perder o fôlego. Atenção com o público. Versão acústica de músicas marcantes. Você não espera ser impressionada assim, pela banda da sua infância. Mas o sonho é tão incrivelmente poderoso que eu e a Bru, e as outras 7mil pessoas, saímos de lá, extasiadas, quase desacreditas por ter recebido tamanho espetáculo da banda da infância.

Além de ajudar a construir minha história. Amores e desamores. Felicidades e tristezas. Histórias sem fim e histórias instantâneas. Backstreet Boys foi o meu sonho desde o aniversário de 5 anos. Minha realização no aniversário de 25 anos. Parte da essência e uma vida inteira. Uma história que vivi sem medo. E assim quero ser, com todos parágrafos, pontos, vírgula e interrogações que encontrar no meu caminho.

 

Se você está feliz e você sabe, bata palmas!

jessica tavares - retalho da vida - bsb - backstreet boys

Backstreet Boys estavam a algumas horas de distância de entrar no palco. Eu e a Bruna, ansiosas que só nós duas, começamos a gravar um vlog no ônibus. Ahhhhhhh! Acho que era a única coisa que eu sabia dizer. Onomatopeia referente a excitação e ansiedade.

Continuamos o vlog até a fila, a entrada e minutos antes do show. Quando as luzes se apagaram, eu ouvia gritos e avistava celulares. Mas menino! Cadê os caras?! Entre braços, telas de led e mãos alvoroçadas eu via algum membro da banda aqui, outro ali. Segui o fluxo, levantei o celular o mais alto que consegui e assisti ao show na ponta dos pés. Bom, consegui ingresso só para a pista. Para o show que esperei a vida inteira, eu estava muito feliz, sem ar, sem pé, sem braço, e rindo a toa.

Entre uma música e outra eu tentei bater palmas. Coloquei correndo o celular no bolso e bati palmas loucamente. Mas… mas… cadê as palmas?! Os caras estão arrasando no palco e ouço apenas gritos. Voltei para o show, curti e tentei bater palma. Dessa vez, segurando o celular no alto e batendo uma mão nos braços. Ah! É isso!

O fã do século 21 não está preocupado mais em apenas dar um feedback momentâneo para o seu ídolo. Ele deseja ter um relacionamento com a banda que foi ver. Não só registrar o momento e ter uma história para contar, mas usar essas mídias como moeda social e atrair um engajamento para sua história.

O ato de levantar o celular na hora de receber a atração tão esperada, implica em algo muito maior do que apenas curtir o show. “As pessoas hoje em dia não sabem curtir”. Cara! O mundo mudou, a tecnologia tomou conta, e a espera por uma aproximação com o ídolo é o que move os fandoms. O artista que investe um pouco em social media, ganha muito mais quando é responsivo aos fãs, do que àquele que escolhe se manter fora das redes.

O Brasil pediu pelo twitter, o Backstreet Boys respondeu. Fez três shows lotados em São Paulo, abriu after party e tudo o que as fãs brasileiras tiveram direito. Cada benefício teve seu preço, o que é um assunto para outra hora. Mas teve. Tudo! Porque o pedido de um todo através da rede social, teve um impacto internacional e um sim na hora certa.

Ir ao show da vida, é muito mais do que estar com as mãos levantadas e bater palma no final. É viver o ontem, o hoje, o amanhã e levar essa história pelo tempo que escolher. Ter todo um aparato para ilustrar uma história e um momento para reviver, até não conseguir mais guardar as lembranças.

Bati palmas, gritei, tirei 536 fotos, a maioria bem blurry, sem olhar para a tela. Mas cantei todas as músicas, revivi a minha vida inteira através da timeline de músicas que eles cantaram. Fiz amizades momentâneas, de cantar a mesma música emocionada e depois a pessoa sumir na multidão. Estreitei laços com uma colega de tempos atrás, que será amiga de tempos a frente. Dancei, gritei, e tenho um momento tanto esperado para reviver sempre.

Se você está feliz, bata palmas! Dizia a música infantil. Eu digo, se está feliz, viva! Do jeito que lhe fizer bem, da maneira que o fizer sorrir, com a liberdade que te faz sentir. Grave, fotografe, cante, dance, grite. Preocupe-se com a vida que é unicamente sua!

Instagram. Facebook. Twitter.

Quando as cores te chamam

Ela disse, ‘- Meu lugar é nas montanhas!’. Seu coração ardia pelo verde em abundância, o marrom palpável e o azul sem fim.

Chuva nenhuma apagou o fogo que a chamava para longe. Seu anseio não a impedia de viver. Apenas a chamava para algo que ainda não sabia, mas ardia, ardia.

Quando seus pés voltaram ao lugar da infância, verde, marrom e azul se encontraram. Não mais lembrava, mas seu lugar era sim nas montanhas. Ela nasceu de lá. Entre morros verdes e marrom, onde o topo só se via azul. Seu início era montanha, sua essência é montanha.

É frio onde ela está, rocha são os seus pés. Quente o coração e cores, ah! As cores brotam de suas mãos!

Peça: Caneca Mountain

Projeto: Paper is NOT the Limit

 

jessica tavares - paper is NOT the limit

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Um erro é um erro. Não é uma vida inteira!

Passei nove meses pagando uma dívida que com muita falta de planejamento eu adquiri. Vivi um ano com esse dívida rolando sem a perspectiva de conseguir pagar. Morando em São Paulo, o salário do trabalho me mantinha para o mês, nada mais. Foram tempos muito difíceis e eu não tinha coragem de admitir o erro.

Tudo na vida acontece a partir da escolha. Se você quer mudar de vida, você tem que tomar uma atitude a respeito. Não precisa ser um grande passo, desde que você se arraste e saia um milímetro do lugar a cada dia, e lute para mover esse milímetro diariamente. O seu mundo não será mais o mesmo.

Antes de me mover, eu precisei admitir. E confesso, não há parte mais difícil do que essa. Você olhar para o seu erro e dizer em voz alta que “Eu estou errando”, ahh meu querido! Não tem orgulho que sobreviva a isso. Caminhei meio milímetro. Depois eu precisei descobrir o motivo disso acontecer. Foi aí que eu precisei trocar de pele como uma cobra faz. Desvesti o meu orgulho e disse com voz trêmula e coração doído: – Eu preciso de ajuda!

Quando você melhora algum aspecto sobre sua personalidade, ego, vício, mania ou o que quer que seja, significa que você criou consciência do que está acontecendo. O erro pode bater a mesma porta novamente, mas sua consciência avisa que seus pés já passaram por aqueles obstáculos. A estratégia nesse caminho em diante, é buscar fortalecer esses pontos que o fazem tropeçar. Amarrar o cadarço, dobrar a barra da calça ou até mesmo trocar de tênis. Fazer o que for possível até conseguir passar por aquele caminho, como se não houvesse obstáculo alí.

Acredito que estamos na Terra para evoluir. Um objetivo tão simples e diário: buscar ser um alguém melhor e conhecer esse alguém sem ter medo de chamar de eu. A perfeição é uma metáfora para uma charada ainda desconhecida.

Eu perdi o medo de me olhar no espelho. Me enfrento diariamente e luto para dizer não, que é erroneamente interpretado como uma palavra negativa. Digo não para trazer ao meu eu, uma vida mais leve, saudável, de buscas, encontros e aprendizados. Não se permita vestir o erro como um salto 15 caminhando na lama. Ande até dançar na lama com suas botas resistentes.

Eu não leio críticas

“- Sai da internet e vai escrever sobre o Hobbit no blog, Jessica!”, esse foi um comentário de um amigo na minha timeline no facebook. Eu tinha um outro blog e escrevia sobre arte e cultura no geral. Sempre gostei de ter conteúdo próprio, então, todos os textos eram originais. Quando escrevi sobre o filme, tentei escrever para instigar as pessoas a assistir. Falei sobre os pontos fortes e o que eu senti. Falava indiretamente da história e assim, cada leitor tinha que chegar a sua conclusão, mas para isso, ele precisava ter a experiência própria de assistir.

Um outro amigo me disse que deixou de assistir a um filme porque seus críticos favoritos escreveram um bad review. Eles não gostaram do filme então porque ele deveria assistir?! Eu achei bizarro! Cadê a opinião dele nisso tudo? Ele só poderia chegar a uma conclusão se o filme era ruim ou não, se de fato, assistisse. Eu o indaguei. Ele ficou confuso. Eu, perplexa.

Instagram é um dos meus lugares prediletos. Comecei ele com a cobertura da Bienal do Livro em São Paulo. Fotos nada produzidas, apenas a preocupação de produzir conteúdo. Continuei fotografando e me desenvolvendo melhor na fotografia, produzindo fotos mais elaboradas. Uma das ‘categorias’ que desenvolvi veio sem querer. Fotografar os livros que gostei de ler e fazer um breve comentário sobre eles. Deu certo.

Não leio resenhas sobre livros. Assim como não leio críticas de filmes. Prefiro a experiência de entrar na história. Depois pesquisar sobre a produção, o processo criativo, e então formar a minha opinião a respeito. Gosto muito de conversar sobre, isso abre a minha mente e me mostra um outro lado.

No momento não pretendo fazer resenhas de livros. Vou continuar fotografando-os. Imprimindo na imagem, as sensações que a leitura me levou. Confira fotos de alguns livros que me marcaram e me siga no instagram para acompanhar as próximas postagens. @_tavaresjessica

Uma oportunidade a menos

Tenho a impressão que já escrevi sobre procrastinação. Não estou certa. Ou se apenas pensei em escrever sobre o assunto. Enfim… eu sempre lutei para conseguir coisas diferente do que eu já tenho. A rotina é uma coisa que me incomoda, então eu busco coisas novas para não chegar ao tédio.

Fazendo uma retrospectiva, eu acho que aproveitava meu tempo melhor quando ainda mais nova. Eu passeava pelas prateleiras da biblioteca da escola, quando chegava em casa, devora os livros e não levantava da cama até ter lido o livro pela metade ou inteiro.

Eu consegui chamar a atenção de uma marca de São Paulo para os meus desenhos. Acho que isso aconteceu de 2013 para 2014. Não lembro ao certo. Mas ele queriam mesmo apostar em uma parceria e produzir algo marca-artista. Me empolguei, aceitei o desafio, recebi as peças pelo correio para fazer testes e bom… o tempo passou.

“Você não consegue terminar as coisas que começa!”. Se você ouvir isso de uma pessoa que mal lhe conhece, você ignora. Se você ouve isso da pessoa que mais lhe conhece. Bom… é difícil. Por mais que você tenta mostrar que não se importa. Esse comentário penetra os tímpanos e vai furando o caminho. Passa pela garganta e a deixa seca. Vai até o estômago, lhe dá um soco. Meneia o coração até você ter forças para puxá-lo para o cérebro e fazer a verdadeira leitura. – Essa crítica é válida ou eu jogo fora? Então o processo de auto avaliação parte daí.

Fui para a casa do meu pai e levei as peças para desenhar. Comprei o material. Empolgação me movia. Assisti alguns filmes para tentar pensar numa inspiração. Rabisquei  bastante. Produzi as patterns. Desenvolvi o conceito. Ufa! Tudo parecia pronto. Exceto que as visitas chegaram, eu não desenhei o restante e as peças foram para uma caixa. E a caixa foi para o esquecimento. O tempo passou e a Jessica não terminou e não enviou os resultados.

Acho que eu realmente tive dificuldade em finalizar várias tarefas. Eu queria fazer parte de tudo. Desenvolver mil projetos. E eles ficaram assim… no nada. De caixa em caixa. E mais uma oportunidade foi embora. Demorei para me declarar uma procrastinadora profissional. Tornei o meu cérebro lazy, por pura vontade de procurar resultados a curto prazo.

As coisas mudaram. Me desfiz de projetos. Pratiquei um desapego que jamais pensei que seria possível. Transformei a procrastinação em horas produtivas e mudei o rumo da minha própria história. Parece que eu tive que reprogramar meu cérebro pra ele entender que não mais poderia mandar sinais de desculpas. Acho que isso sempre vai acontecer mas eu aprendi a importância de criar hábitos. Hábito não é rotina, desde que você desenvolva para obter maior qualidade de vida.

Bom… deixo para vocês o resultado de um dos meus trabalhos que não chegaram ao fim. E de alguma forma, teve influência em mudanças positivas na minha vida.

jessica tavares - retalho da vida - leaf - leaf óculos

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As imagens contidas nesse blog são todas produzidas por Jessica Tavares. Do contrário será creditada. Se usar alguma dessas imagens, por favor, dê os devidos créditos.

Pit Stop! Parada obrigatória

Alguns dias atrás fui com alguns amigos assistir a homenagem do Parque Ibirapuera a Ayrton Senna. Fui sem expectativa, confesso. Enquanto a homenagem acontecia, espelhada nas lindas fontes, ouvia um amigo inconsolável chorar sem medo. “Meu ídolo”, ele disse no caminho até lá.

Eu fiquei segurando o meu celular, tentando tirar uma foto interessante, prestava atenção em tudo, mas não me comovi como muitas pessoas. Logo após as palmas de orgulho e saudade, levantei e avistei muitos olhos marejados. – Um mar passou por alí e não me levou. Não chorei, mas minha garganta parecia seca. Minha voz não queria sair. Segui atrás de todo mundo, bem atrás mesmo. Só andando e observando.

Num momento qualquer, que parecia ser muito específico, eu me cobrei. Olhei para trás na vida e contei os passos errados. Quando a negatividade abaixa, você só se vê errado. – Lembra quando o Ayrton precisou fazer uma parada no pit stop, foi tão difícil, pois vários carros passaram na frente. Mas depois de muita luta e insistência, ele acabou a corrida em primeiro lugar, disse Rosinha.

E alí, andando atrás de todos, me dei conta. Estou no Pit Stop. Precisei parar, do contrário, eu não poderia continuar. Tive que descer do carro, fazer um check-up, trocar algumas peças para depois voltar para a corrida.

A parada só é dolorosa quando você não se dá conta de que ela é benéfica. Quando se abre os olhos para o objetivo, a ato de parar, é só um passo recuado para tudo entrar nos eixos. E vou te dizer, que delícia se dar conta disso. Que venha a corrida!

Etiqueta da saudade

Encontrei uma caixa guardada na casa de meu pai há alguns anos. Dentro dessa caixa, saíram lembranças de um passado distante. Cada objeto que tirava da caixa, meu rosto esboçava uma reação.

Meu pai, que me ouvia atento pelo outro cômodo da casa, passou por mim e disse: “A Jessica é saudosa!”. “O quê, pai?!. Foi a primeira vez que ouvi essa palavra. Ele expressou de tal maneira, que eu tive a impressão de que se tratava de algo muito ruim. – O som dessa palavra me soa negativo. Pensei comigo enquanto repetia a palavra.

Um dia disse para um amigo que estava com saudades. Ele respondeu: “okay”. Mas foi bem seco tipo: ” ouuuukaaaay…”. Foi a primeira vez que eu me dei conta do significado da ‘saudade’. Uma palavra carregada com tanto amor e carinho, não deve ser dita assim, às pressas de um coração solitário.

Quando meu pai me explicou o significado de ‘saudosista’, eu confirmei o que eu havia pensado. Tomei desgosto por essa palavra e decidi que não queria ser essa pessoa.

“Saudade é uma doença passageira, cachimbo de feiticeira. Pega a gente a vida inteira.” Esse trecho da música de Rio Negro, é uma bela poesia sobre a bipolaridade do sentimento. É uma mão de duas vias, onde no carinho e no amor, a estrada está livre pra você passar. Do outro lado, o trânsito parece fluir, logo adiante está uma grande carreta vindo ao encontro do seu carro. Mas para escolher qualquer via, você vai ter que caminhar vendado.

Encontrei esse texto engavetado. Justo numa semana em que a saudade tá me chamando de minha e me trazendo pessoas à memória. Desde que estar saudosa seja um estado de espírito onde o meu controle está acima de tudo, não há problemas em relembrar pessoas e momentos. Nem oito nem oitenta. Eu aprendi a respeitar o ato de sentir saudades. Não em vão, não em excesso, só… saudade.