A cor que faltava

Algumas pessoas tem o dom de despertar sentimentos bons dos mais variados tipos. Com um sorriso nos contagiam de alegria, com um olhar demonstram compaixão e com apenas um gesto, transmitem o amor pelo próximo. Essas eu carinhosamente chamo de encantadoras.

Ao andar pela rua eu observo como algumas pessoas estão concentradas em seus sonhos e perdidas em devaneios. Olhar para o lado e enxergar o que está ao redor parece uma tarefa muito difícil para quem está ansioso para o fim do dia. Esses são os amargos.

Num dia chuvoso e frio, a paisagem cinzenta é bem vinda, as pessoas correm para lá e para cá com medo de se molhar. A vontade de ir para casa, ir de encontro com o cobertor e aquele chocolate quente, parece  crescer a cada pingo d’água que penetra a roupa.

Triste é aquele que não tem para onde ir e correr da sensação de estar dentro de uma geladeira e cada parte do seu corpo parece não mais existir, tomado pelo frio.

Desta forma, andar pela praça  o dia não poderia ser mais cinzento, mas eis que uma parte lá longe, quase ofuscada pelas pessoas amargas que passam rapidamente se esbarrando umas nas outras, avista-se uma coloração. Um jovem inclina-se diante do morador de rua que treme de frio e coloca uma jaqueta no ombro avermelhado do homem e com um abraço o envolve tentando amenizar  a sensação de estar quase morrendo de frio. Eis um ato encantador que coloriu a paisagem cinzenta repleta de pessoas amargas. E transformou uma vida amarga em encantadora por saber receber de um desconhecido, a ajuda que precisava.

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