Bom dia de domingo

Observar a cidade a noite é estar com os ouvidos atentos. Do alto do décimo andar de um prédio é imaginável que quase nenhum som ultrapasse as barreiras da altura. Mas este sim é um engano.

Tudo fica muito vazio a partir de 2h da manhã. Nenhum barulho, nenhum suspiro. Apenas o vento, insistindo em bater na janela. A solidão bate, o pensamento voa, o frio acanha e o livro faz companhia.

Quando você imagina que conseguirá meditar no eco da sua respiração, o vizinho de cima acorda apressado para trabalhar. São 4h e embora o sono não é bem vindo, qualquer barulho parece adentrar o cérebro e fazer tremer a cabeça de tanta dor.

— Quero dormir!

Finalmente eu me entrego e tento deitar… As palavras não ditas. A espera da resposta. O desenho mal terminado. O telefone que não toca. A saudade que não sossega. A mente é minada de pensamentos que acompanharam ao longo do dia todo e parecem não querer se acalmar.

Levantar. Acender a luz. Sentar na cama. Olhar para os lados. Pegar o desenho e finalizar. Foi a única opção. Os pensamentos ficaram e a cada minuto o desenho chegava à sua conclusão. O que não conclui é essa vontade, esse desejo de colocar um ponto final numas coisas aqui, abrir aspas em outros, fechar parêntesis e colocar o ponto final em tantas outras linhas.

São sete horas da manhã de um domingo e eu estou sentada em frente a janela vendo o sol nascer, ouvindo os pássaros cantar, os carros começando a passar pelas ruas e algumas vozes embargadas pelo sono… Como é bela a cidade quando está acordando!

A vida é assim…  como o nascer do sol. O brilo erradia os prédios, as cores vermelho e amarelo se misturam no céu azul. O Sol aparece com toda sua majestade, se levanta e mostra quão suave pode ser iluminando a cidade aos poucos, levando luz aos pontinhos mais sem graça e dando vida a cada um deles.  E quanto a gente menos imagina, ele se vai, leva o seu calor e sua beleza e dá lugar à Lua.

Tudo passa, tudo muda, tudo se reformula. O sol se vai e volta no outro dia, de outra maneira, iluminando outros cantos, encantando outros olhos. O que fica é a saudade, aquela pontinha de esperança e vontade que o coração guarda para uma outra ocasião, talvez. Ou apenas pela felicidade de ter acontecido.

Foi assim… tão lindo, tão singelo, tão intenso. Mas passou…

Anúncios

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s