I’m talking to myself

Imagine você animado para viajar para o seu feriado, quando chega na rodoviária Tietê em São Paulo, se depara com milhares de pessoas com o mesmo objetivo que você. Fila para comprar comida, fila para retirar passagem, fila para o banheiro, fila se confundindo com fila. Uffa! Você então vai a procura do seu portão de embarque e ao descer as escadas, vê mais pessoas, mais filas, pessoas esparramadas no chão, um pessoa comendo, sentada, tentando equilibrar as bolsas e esparramada no chão. Espera, passe devagar, olhe com calma. Essa sou eu.

Oi! Para quê tanta pressa? Falta uma hora ainda para o seu ônibus chegar. Senta aqui. O espaço é público, o chão é duro, mas eu prometo que a companhia é agradável. Eu sei, também tive uma semana difícil, parece que tudo deu errado nesses dias, mas aqui estou eu, sentada ao chão da rodoviária. Não pode ficar?! Tudo bem, eu vou ficar por aqui um bom tempo, meu ônibus vai demorar para chegar. Bom, a semana não poderia ter sido pior, acho que posso sentar e me fingir de invisível.

Engraçada a vista daqui, todo mundo num corre, corre. Malas para lá. Barulho de sapatos para cá. Crianças chorando. Risadas. Choro. Despedidas. Uma música ao longe. É como ver vários estágios da vida em um só lugar. Olha aquele cara alí no lado esquerdo, sentado no banquinho da cervejaria, ele não tira o olho daqui. Será que ele nunca viu alguém tão confortável sentado no chão da rodoviária? Eu ein?!

Vou criar coragem para comer aqui. Sabe o que é?! Eu não gosto que as pessoas me olhem enquanto eu como. É só se concentrar em  outra coisa, faça igual nos palcos, crie uma quarta parede, finge que não tem ninguém, e enjoy sua comida. Acho que pode funcionar. Enquanto eu tento fazer isso, deixa eu te contar uma coisa. Conheci uma moça, na fila do Bob’s, que está lendo o livro Abraham Lincoln, baseado no filme. Puxa! O engraçado nisso é que nós conversamos um tempão, descobrimos que temos família nas mesmas cidades, discutimos sobre a presidência de Abraham e… eu não perguntei o nome dela. Como assim?! Uma universitária, estudante de jornalismo, não se apresentar, e nem perguntar o nome da pessoa?! Pois é, o papo começou no assunto, o assunto se estendeu interessante, e sei lá, esqueci!

Viu?! Você conseguiu comer, mesmo com várias pessoas passando e olhando, venceu um obstáculo hoje. Vou deixá-la aí, leia um pouc0 e você não vai ver o tempo passar. Abri o livro, coloquei a mala de apoio para minhas mãos, encolhi meu corpo no chão gelado, mergulhei nas palavras. Até alguém curioso o bastante passar, olhar para o livro, tentar enxergar a capa e puxar assunto.

Eu realmente nunca conheci pessoas enquanto bebia leite, mas conversei com pessoas interessantíssimas apenas perguntando. – Que livro é esse que você está lendo?!

Jéssica Tavares

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Um comentário sobre “I’m talking to myself

  1. Interesting your blog, beauty, art, be nice to walk by your lyrics. I love the Portuguese language. From a young I have have traveled many times to Brazil,
    I wish you much inspiration for your blog and good luck.
    Adiós
    Cruz

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