Torcedora de primeira viagem

Chegando no estádio o meu irmão falou: “Hoje, só hoje você pode falar nome feio!” E a torcida gritava: Pqp, é o melhor Zagueiro do Brasil. Dedé!

Sou Vascaína! Diga o que quiser, não sou fanática, mas gosto de pegar no pé dos flamenguistas. Aliás, essa rivalidade está na família desde de… desde de… desde sempre, acredito eu. Pai: vascaíno. Mãe: Flameguista. E assim foi, eu não desenvolvi nenhum gosto pela coisa. Mas a influência em 22 anos, tinha que surtir efeito em algum momento da vida. Em 2011 eu me assumi: sou Vascaína sim! O flamengo? Ah! Sempre existiu aquela antipatia.

No dia 10 de março, Vasco x Botafogo no Engenhão, lá estava eu, pai, irmã e irmão no Rio de Janeiro. Correndo para chegar uma hora antes do jogo. Correndo mesmo. Até que um flamenguista tentou nos indicar um caminho errado, e antes de apertar o passo, uma alma boa, deu a informação correta e lá fomos nós. O que a gente não imaginava é que estávamos do lado contrário da nossa torcida, ou seja, botafoguenses para todo o lugar e eu queria era desaparecer. Ouvimos todos os xingamentos possíveis em menos de um minuto, afinal, eu, Carol e Flávio, carregávamos no peito, o símbolo do nosso time.

“De todos os amores que eu tive, és o mais antigo
O Vasco é minha vida, minha história, o meu primeiro amigo
Quem não te conhece me pergunta por que eu te segui”

Foi assim que fomos recebidos quando chegamos perto da nossa torcida. Milhares de pessoas cantando. O sentimento de medo  se transformou em emoção. Que lindo tanta gente com um só objetivo.

O jogo foi um espetáculo. Pois é, um espetáculo mesmo. Era jogador parado, juiz roubando, correria para o lado errado, brincadeira com a bola, juiz roubando novamente. É sério, jogador de futebol faz curso de arte cênica. Quer ver pessoas interpretando tombos, vá a um jogo de futebol.

A gente perdeu. O jogo foi feio. A tristeza bateu. No meio disso tudo eu orei, pedi para Deus deixar que ganhasse a torcida mais violenta. Não sei se isso se tornou real. Teve briga sim. E voltamos para casa fritos, acho que o sol queria castigar e chegou mais perto do Engenhão para ver qual torcida queimava mais.

O fato é que eu voltei para casa, mais vascaína. Aprendi a apreciar o esporte pelo qual meu país é conhecido. E torço, vou continuar torcendo para que o amor do brasileiro pelo futebol, possa ser transmitido para seu país. Àqueles gritos de guerra se tornarem uma voz, contra a corrupção, a favor da educação e saúde do nosso Brasil. Um grito de guerra a favor do respeito, por si mesmo e pelo próximo!

Jéssica Tavares

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Um comentário sobre “Torcedora de primeira viagem

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