Na essência da batida ou no swing da nota musical?

A batida é contagiante, quando o DJ coloca o volume no máximo, a galera vai ao delírio e o corpo move conforme a música, sentindo cada som como se fosse a batida do coração. Já nos grandes teatros, quando o regente dá as coordenadas para os músicos, a platéia fecha os olhos, sorri e entra nas notas que delicamente e sincronizadamente são tocadas. Ainda que denominadas música, a música erudita e a eletrônica seguem por diferentes linhas. Mas afinal, música eletrônica é ou não é música?

Não há como datar a criação, o surgimento da música. Pegue uma latina e bata uma na outra e você já estará fazendo um som que se sincronizado, e aos ouvidos mais simples e da boca mais ingênua dirá: “Isso é música!”. Segundo o regente da orquestra sinfônica, Jorci, “Una sons diferenciados, combine com o silêncio, distribua por um determinado espaço de tempo e adicione o sentimento, isso sim é música.”

A música no seu relato mais romântico, vem das escrituras sagradas, quando Deus dá aos seus anjos o dom da música. O instrumento mais tocado era a harpa que contém entre 46 e 47 cordas e reproduz um som comparada ao canto dos anjos. Mas foi entre 1750 e 1810 que a influência de grandes compositores como Mozart, Haydn, Beethoven e entre outros que a música erudita tornou-se popular.

Já a música eletrônica traz o conceito do Disco na década de 70 e se popularizou na década de 80 depois de sair dos clubes underground de Chicago. “É fácil de fazer e não é tão simples como parece, é necessário estudo e conhecimento de mundo”, declara o deejay Ian Lemos, mais conhecido como Ianix, por apresentar em seus sets o som parecido com um caminhão soltando fumaça.

Não há um ponto linear que conecte os dois estilos musicais. O erudito é horizontal como uma montanha olhada de longe, seus desenhos tão suaves apresentam elevações que dão frio na barriga só de imaginar em chegar nos pontos altos, e são nesses pontos em que os instrumentos musicais unem e se tornam um. “A elevação do sentimento ao ápice da música”, diz Jorci. Já o estilo dance, trance e todas as suas derivações partem de um princípio mais vertical e tende a alcançar ápices com mais frequência, levando o pulsar do coração, o acelerar a cada batida. “É como pular de bungee jump, quanto mais alto, mais você quer que continue”, expressa Ianix franzindo o rosto como se estivesse sentindo a adrenalina de saltar.

Quando você tem 18 anos e percebe que quer aprender a tocar um instrumento, você vai logo no violão, que é um instrumento universal e ainda dá pra curtir um sozinho com a galera. Se você tem voz bonita, muito bem, se não, o empenho em aprender a tocar vai ser ainda maior. Mas aí o professor chega na sala de aula e explica:

— Música é como o corpo humano. Cada parte do instrumento é uma parte do corpo e elas precisam estar muito sincronizadas para o funcionamento perfeito. Se alguma parte é deficiente, tudo ficará em desarmonia.

Pensar em música assim é olhar para o mundo com outros olhos, enquanto uns se preocupam com a essência, a profundidade, ou seja, a letra, outros se preocupam com o exterior e o impacto, diga-se, arranjo musical. Um não pode andar sem o outro. Como analisa Jorci, a música nacional é feita de letra, de essência e sentimento, mostra como é o povo brasileiro, um povo caloroso. Já a música internacional se prende ao impacto e aos belos arranjos sonoros que dizem o que todos eles querem dizer: “Eu sou foda!”. Ainda assim é preciso rever conceitos e colocar na prática o verdadeiro eu do artista, “Não são as migalhas nem as pegadas que marcam os caminhos, mas a forma como o artista leva até o outro”, critica Jorci.

Estar num show de música eletrônica rodeado de 5 mil pessoas, todos gritando freneticamente:

— David Getta! David Guetta!

E quando o público se une em uma só voz, o palco se ilumina em diferentes cores e formatos, causando a surpresa e levando todos ao delírio. O show dura quase 3 horas de muita música e badalação. Se olhar para os lados, não verá nada mais que partes do corpo humano se movendo no ritmo da música e se expressando através do som que estão ouvindo.

Mais do que som, instrumentos musicais, combinações, voz, música é ser humano, é expressar algo e levar o ouvinte a sentir o mesmo.

Jéssica Tavares

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