Meu passado não me condena!

– Nossa! Você voltou?

– Sim! Estou em São Paulo novamente.

– Puxa! Não deu certo lá né?!

Respirei fundo… Eu não fiquei nervosa. Na verdade, a resposta dela parecia ter trazido um alívio para mim. Sorri e com as palavras suaves, respondi:

“Deu certo sim. Por isso eu voltei!”, completei com um sorriso sincero, aquele  sorriso quando a gente morde um pedaço de um brigadeiro incrível. Um sorriiiiiiiiso. Ela me olhou curiosa e ficou sem entender. Sua testa franziu e sua sobrancelha parecia um ponto de interrogação. Ela tentou questionar novamente afirmando que minha experiência não havia dado certo. Eu mordi mais um pedaço do brigadeiro e me expliquei.

“Deu muito certo! Eu fui lá com um objetivo e concluí. Voltei mais preparada para enfrentar os meus objetivos aqui.” Eu entrei em detalhes mas não adiantou. Ela mudou de assunto e me observou curiosa enquanto eu caminhava naquele espaço.

Foi uma das primeiras vezes que eu respondi alguém sem querer me explicar para ser aceita. A minha frase demonstrava para a ouvinte que eu poderia estar sendo contraditória. Mas esse era o ponto de vista dela.

A questão levantada dizia a meu respeito apenas. Portanto, sem querer, manipulei a informação para que ela ficasse com um ponto de interrogação na cabeça. E assim ficou. Desenvolvi um pouco a história para ela ter um parâmetro melhor sobre o que eu estava querendo dizer. Mas não entreguei a conclusão.

Eu não me importo o que ela concluiu, não querendo ser ignorante. Mas… alguns ensinamentos chegaram de maneira inesperada nesses últimos tempos. Entendi. Entendi que a minha história deve ser compartilhada de maneira seletiva. Um momento traumático por exemplo, não vou sair gritando aos cantos. Vou procurar as pessoas que podem me ajudar a entender a situação.

Por isso nós temos grupos de amigos. Cada indivíduo representa algo para a nossa história. E a cada um lhe cabe a função em que o nível de intimidade o relacionamento se encontra.

Aquela mulher comprava bolos na loja em que trabalhei. Ela sempre simpática, torcia para o meu futuro profissional. De uma maratona que corri, compartilhei apenas o passo que ela sempre tentou caminhar comigo. Me senti grata. De passo em passo, estou pronta para percorrer mais uma maratona.

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2 comentários sobre “Meu passado não me condena!

  1. Como sempre muito bom texto!!

    mas… ela quem? voltou de onde? o que deu(ou não) certo?

    e como sei que virá mais um brigadeiro a sua mente e o largo sorriso se instalará em seus lábios…. como a senhora que comprava bolos, ficarei com a interrogação na mente.

    parabéns e continue com esse excelente trabalho!

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