Você já conheceu alguém artificial?

Um dia cheguei atrasada, pronta para dar um abraço. O abraço do lado de lá veio frouxo e sem graça. Não me entristeceu mas eu notei a falta de emoção em seus braços.

Aquele dia o véu parecia não cegar meus olhos, eu conseguia ver o coração que ardia por algo mais mas a expressão era tão seca, vampiresca. A pessoa havia construído um personagem para se encontrar com o mundo social. Toda pomposa e cheia de palavras difíceis. Parecia ter saído de um dicionário de steampunk com um coração tão Shakespeare e o exterior contemporâneo. As qualidades não pareciam pertencer à mesma pessoa.

Fazia parte de todos os clãs. Conversava sobre todos os assuntos. Não tinha nenhum preconceito mas também tinha todos. Concordava com tudo. Sorrir era sua qualidade mais admirada. Mas quem é que vive lá dentro?

Por muito tempo observei a pessoa tentando entender quem era a pessoa por trás da boca afiada. Não tinha medo de falar nada e ao mesmo tempo escondia tudo dentro de si. Me assustei quando notei que aquela carcaça era uma farsa e ela levava a vida como se estivesse em um palco de teatro.

Ainda hoje observo essa pessoa com dor no coração. São poucas as vezes que ela tem liberdade dentro dela para ser o que é. Pessoas assim estão presas em um momento ilusório de que a opinião do outro é adubo para a vida. Mas não é. É descarte na maioria das vezes certeiro.

Não desmascare uma pessoa que é artificial na essência. Seja um suporte para que ela encontre uma segurança. Ela não está segura dentro dela para arrancar o teatro que está da boca para fora. Seja o caminho suave e mostre a fresta da porta para que ela seja refletida na luz e entender que suas qualidades e defeitos são belos contornos de sua personalidade e não algo a se temer.

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4 comentários sobre “Você já conheceu alguém artificial?

  1. Gostei da forma de “olhar” que você mostrou. Quando encontramos pessoas que são assim o tempo todo, a vontade é de se afastar…quando percebemos, pois, existem aquelas que são realmente boas nisso, inclusive muitas nem sabem mais como voltar atrás.”…presas em um momento ilusório de que a opinião do outro é adubo para a vida.” conheci alguém assim recentemente, e hoje que vejo com clareza, realmente sinto pena, algo que não gosto de sentir, mas, infelizmente, não há nada a se fazer ali. Por outro lado, acho que todos temos alguma personagem em algum momento. Acho que é meio que sobrevivência, mas entendo o que disse e te digo uma coisa: mesmo quem não usa a personagem o tempo todo, as vezes precisa de alguém assim, que o tire do palco lentamente. Linda sua percepção!!!

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