Onde os demônios se escondem

 – Por quê fala com um sorriso no rosto, sendo que seus olhos, dizem a tristeza que está por dentro?

 – O que me impede de falar sobre um assunto, e estar sentindo algo diferente por dentro?

 – Eu não sei. Mas parece que o sentimento não condiz com as palavras.

 – Quer dizer que enquanto eu estiver triste, não posso sorrir?

 – Não diria isso. Mas seu sorriso parece verdadeiro demais, para quem está com dor por dentro.

 – Em nenhum momento eu te disse que estava triste, você chegou a essa conclusão através de uma interpretação. Agora você diz que meu sorriso é verdadeiro. O que você acha realmente que estou sentindo?

 – Eu não sei… Eu estou tentando entender.

 – Você na verdade não precisa entender isso. O que te faz achar que existe dor em mim?

 – Seus olhos não apenas olham as coisas. Eles confessam um algo a mais. É a parte de você que mais comunica. É um silêncio que move o interior. Quase não dá pra acreditar como um olhar fala tanto. Eu poderia escrever textos sobre o que você está vendo, sem saber o que está entrando em sua retina. Eu vejo o universo inteiro em tua íris.

 – E a dor? Você não falou dela…

 – Acho que na verdade a dor está em mim. Por querer mergulhar neste universo que não me pertence mas me faz acreditar que pode ser parte de mim também.

 – E o sorriso?

 – Ele me incomoda pois é o que eu vou sentir se conseguir adentrar neste universo. Eu ainda não sinto o sorriso verdadeiro em mim, eu o desejo.

 – Porque se cobra em entender algo ao invés de descobrir o que há dentro de seus olhos? Quer dizer… se você conseguir sentir profundamente o que há dentro de você, talvez enxergue com mais clareza o que há dentro de mim. Ao invés de entender, nossos olhos podem ser complementos um do outro, assim como nossos universos. Mas nunca seremos as mesmas pessoas, pois a autenticidade é necessária para construir o caráter. Você não precisa ser um outro alguém para ver o que há aqui, mas existem maneiras diferentes de descobrir isso.

 – E como consegue sentir tanto de dois sentimentos tão distantes?

 – Distantes? Eles são parte de quem eu sou, andam lado a lado. Portanto, sentir, é o que me move. Triste ou feliz, eu me permito colocar o sentimento para fora, ao invés de guardá-los em gavetas. Posso muito bem lidar com as duas coisas e não me sentir afugentada ou traída por mim. O que me dói agora pode se transformar em alegria depois.

 – Eu não entendo…

 – O que?

 – Como posso olhar para mim e não querer fugir?

 – Se você foge de quem você é, você não encontra mais ninguém. Nunca vai conseguir olhar nos meus olhos e sorrir, apenas vai questionar o que é que está vendo, ao invés de olhá-los.

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