O que eu deixei de ser quando cresci?

Lembro que na infância a minha cabeça não tinha limites. Buscava todo o tipo de explicação e caminhava para todo o tipo de histórias dentro da minha mente. Não sabia nada da vida e queria entender todo ponto e vírgula que via pelo caminho. Fazia apresentações de teatro pela casa, criava histórias e personagens como um respirar, tinha nome para tudo, e qualquer coisa se transformava em minhas mãos.

Lembro que foi na escola quando comecei a sentir a minha mente ameaçada. Eu me concentro numa coisa, observando à minha volta, não tenho habilidade nenhuma para ficar parada, estática, enquanto alguém tenta me ensinar algo. Mas a professora de português disse que o aluno quando é bom, pode passar um elefante, que ele não vai se distrair. – Pera aí, professora! Se um elefante passar por aqui, eu vou embora com ele, vou tentar saber de onde ele veio, e pra onde está indo. Eu disse isso mentalmente, é claro né?!

O tempo passou e eu me vi dentro de uma bolha. Para ser aceita, eu preciso me vestir de tal maneira, me comportar de tal maneira, falar de tal maneira. Sem perceber, e pela ânsia de pertencer a algo, fui perdendo as minhas cores. Explodia arco-íris dentro de mim, e externava tons de cinza. Amo o preto e branco, e me expresso através dele, mas sou todas as cores na essência.

Encontrei pessoas quadradas e me enquadrei e esqueci dos volumes que sou, das curvas e pontas. Sou um formato indefinido, me adapto ao tempo, ao espaço mas não sou uma coisa só. Tenho dias, fases, vontades e desejos, mas não sou uma coisa só. Faço, crio, produzo, mas não sou uma coisa só.

Aí a vida foi passando e eu guardei as asas da minha imaginação. E eu percebi que nenhum trabalho, nenhuma pessoa, vale o sacrifício de deixar de ser a essência que sou. E então eu conheci pessoas que me lembraram que no livre arbítrio ninguém pode interferir, e que as prisões, são criadas pela própria mente.

Aí eu resolvi tirar o lápis de cor da gaveta e pintar minhas asas mais uma vez. Afinal de contas, sou pássaro sem ninho, e posso pousar onde eu quiser. E pertenço a mim, não à lugares ou pessoas.

Jessica Tavares
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2 comentários sobre “O que eu deixei de ser quando cresci?

  1. Sabe quando nos deparamos com alguma coisa ou pessoa sobrenatural? e vemos que tal coisa ou pessoa e exatamente o que agente procurou a vida toda kkkk. (deve ser paranoia minha).
    Aconteceu em um dia normal como qualquer, la estava eu estudando a filosofia de Platão como faz um aluno normal do primeiro ano de filosofia, lendo um conteúdo da apostila em PDF, pela tela do desktop. De repente aparece uma tal de Jessica Tavares e pronuncia um simples Oi… Bom muito me estranhei e pensei comigo quem sera esta meu Deus. Logo ela sumiu, esta veio como um beja flor e desapareceu, tudo bem… continuei meus estudos, mas aquilo ficou na minha cabeça então fui investigar como um bom filosofo calouro que, quer saber de tudo, e bem como o porque de todas as coisas e fui afundo, então fui atras de fotos, facebook, publicaçoes videos, e com pouco tempo de investigação fui vendo que esta mulher é um prodígio uma maravilha feita por Deus em outras palavras um verdadeiro tesouro ambulante. Então fui me interessando ate chegar onde cheguei aqui a esse ponto de lhe escrever algumas palavras para tentar conseguir um segundo de sua atenção. Assisti alguns videos que você fez, também li alguns textos de sua autoria… Digamos que fiquei maravilhado. Enfim finalizo minhas palavra e aguardo algum sinal teu, se não possível continuarei lhe seguindo aqui… Parabéns pelo teu trabalho tenho muitas perguntas e muitas duvidas espero que em breve poderemos ter uma conversa amigável afim de que eu possa te conhecer um pouco mais.
    Sobre o texto acima ficou muito bom principalmente a parte do elefante e do pássaro sem ninho rsrs.

    • Oi Mauricio! Desculpa a demora em responder. Que engraçado.. rsrs Fiquei um pouco confusa com tudo isso mas estou aberta a conversar sim.
      Obrigada pelas palavras de carinho e admiração!
      Super abraço,
      Jessica Tavares

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